Cervejas Mild


O termo Mild está entre as denominações mais antigas para descrever as Ales inglesas e sua aplicação se confunde com a própria história da produção de cervejas na Inglaterra. A palavra Mild significa “leve”, mas isso não diz muito quando falamos desse – que hoje podemos chamar de – estilo de cerveja. O termo era usado por cervejarias Britânicas e fazia referência a cervejas frescas, cervejas que haviam acabado de ficar prontas para beber, tão frescas que não passavam por maturação¹ e deviam ser rapidamente consumidas. Por este mesmo motivo eram encontradas apenas em barris: produziu, envasou, vendeu, tomou.

Com o passar o tempo, cervejas Mild ficaram conhecidas como a cerveja pós-trabalho, fácil de beber e acessível. Mas não se engane, “leve e fácil de beber” no comparativo da época (século XIX) poderia indicar uma cerveja com seus 6% de teor alcóolico – hoje representam cervejas com média de 3 a 3,8% (com suas exceções). A mesma teoria se enquadra para o corpo: ainda que fácil de apreciar, seu peso em boca era no mínimo de intensidade média, sendo considerada como malty meal in a glass (refeição maltada no copo, na tradução literal) no livro Oxford Companion to Beer de Garrett Oliver.

Com o surgimento de inúmeros pubs as Mild passaram por vezes a ser o resultado de blends (misturas) entre suas versões frescas e outras maturadas para balancear e ressaltar o sabor, com isso a cerveja passa a ser compreendida como tendo uma coloração mais escura do que se comparada à outras versões da época, daí o nome Dark Mild: uma referência a uma cor oposta à Pale (pálida) e não necessariamente a uma cerveja preta.

Não fossem as cervejarias artesanais e movimentos como o CAMRA² fazendo o trabalho de resgatar receitas tradicionais, este estilo estaria extinto. É neste contexto que hoje é possível encontrar nos bares e nos guias de cervejas o estilo Dark Mild Ale, que atualmente o BJCPᶟ designa como uma cerveja de cor âmbar a marrom escuro com baixa formação de espuma, em suas notas o malte marca presença com lembranças de caramelo, toffee, tosta, chocolate, nozes, e muito pouco até nenhuma presença das notas de lúpulo.

Legenda
1 – Maturação: última etapa da produção de cerveja, a bebida já está pronta, mas este é um processo de repouso necessário para que os sabores possam melhor se equilibrar. É aqui que é possível fazer os ajustes finais da cerveja, como adicionar uma carga de lúpulo para acrescentar frescor das notas (dry hopping).

2 – CAMRA: é a sigla para Campaign for Real Ale, nome de um movimento com o objetivo de resgatar e perpetuar estilos, técnicas de produção e serviço das receitas de cervejas britânicas.

3 – BJCP: sigla para Beer Judge Certificate Program, programa de certificação de juízes que também contém o guia de receitas de cervejas, uma referência internacional para os produtores de cervejas.

Referências

1 – SUTULA, David. Mild Ale. History, Brewing Techniques, Recipes. Classic Beer Style, Series No. 15. Boulder: Brewers Publications, 1999.

2 – Oliver, Garret. The Oxford Companion to Beer. 1 ed. New York, Oxford University Press, 2011.

3 – Carr, Nicoli. Dark Mild: Style Profile, Brewing Tips & History. EUA, Kegerator.com, 2016.

Dark Mild: Style Profile, Brewing Tips & History