Griot – Por Glauco Ribeiro


A história oral resiste durante séculos. Aquela história contada de geração em geração conduz, as pessoas que escutam, a um universo distante em anos mas perto em referência e reconhecimento. Uma aprendizagem, um fato ou uma curiosidade contada, pode trazer uma grande carga de identidade e orgulho. Quando um povo perde a sua história, ele perde a capacidade de aprender com ela. De seguir de um ponto que não precisaria ser novamente traçado. 

Por este motivo  a série Griot chega com esta função. Trazer a história oral das pessoas envolvidas no projeto unindo a mãe de todas as ciências: a filosofia. Que muito antes dos pensadores europeus, a África já construía suas reflexões de forma profunda e desafiadora. Colocando o homem negro na posição de análise da sua própria existência.  Imerso em inúmeros questionamentos que, na maioria das vezes, não seriam respondidos, mas fariam com que as pessoas envolvidas sigam buscando o momento de aprendizagem.

Hantu, a primeira da série, vem transbordando de referências importantes como Conceição Evaristo em uma demonstração de localização em um “tempo/ espaço” de vivência heróica de cada negro ofendido, maltrado ou menosprezado. Traduzido em um amor pulsante ácido de caju e cajá emoldurado em notas de coco. Que abre nossa boca para contar e beber. Abre nossos olhos para observar e reagir e o nosso peito a se expor de tanto orgulho. Um orgulho edificante que não desmorona, e nem se abala. Porque somos fortes quando nos unimos em um só, em qualquer tempo e nos mais diferentes espaços. Porque antes de tudo ser negro é transceder.



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Descolonize – Decolonize – Por Sara Araújo

A série GRIOT – Por Sulamita Theodoro