Quatro curiosidades sobre IPAs


Já imaginou um mundo onde cervejas eram feitas com qualquer tipo de erva e eventualmente com algum tipo de lúpulo? Este mundo é real e, na verdade, as cervejas assim eram antes de termos o lúpulo como um dos ingredientes principais da cerveja. Tanta coisa mudou que hoje é também fonte de um dos tipos de cervejas mais procuradas em todos os cantos das Américas (pelo menos) estamos falando das cervejas amargas, entre elas, a mais aclamada: as IPAs. Por isso reunimos aqui algumas curiosidades.


Primeira curiosidade, que está mais para uma forma bastante peculiar de explicar sobre o estilo, no Livro O Atlas da Cerveja dos consagrados cervejeiros Tim Webb e Stephen Beaumont tem a seguinte definição: “IPA (India Pale Ale) estilo de Pale Ale cujo nome vem de sua popularidade na Índia, durante o reinado britânico. Originalmente nativa da Inglaterra, hoje é produzida nas versões americana (muito lupulada e de teor alcoólico).” E se você pensou que as IPAs nasceram por conta das viagens de navios para a Índia, sentimos te informar que esta é uma boa Lenda. Podemos te contar mais um outro dia.


Ainda nas páginas do Atlas (pag. 113), encontramos a seguinte informação sobre como o estilo desenvolveu-se em campos britânicos: “Em 1880, a Pale Ale tinha teor alcoólico de 6% e podia ter grande quantidade de lúpulo; por volta de 1980, o teor alcoólico variava de 3,5% a 4% e a quantidade de lúpulo era pequena, mas a cerveja era real*”.


A terceira informação, que não chega a ser uma grande novidade, vem do livro Boutique Beer de Ben Macfarland já no ano de 2013: “Os Estados Unidos permanece o coração hedonista do lúpulo, o local de nascimento dos estilos agressivamente amargos. Não contente com a reinvenção das IPAs estourando a intensidade de aroma e amargor, as cervejarias artesanais americanas as transformaram em Double, Triple, Imperial, e até trouxeram a opção Black. A americanização da India Pale Ale é provavelmente o evento mais significante que moldou a cerveja nos últimos 30 anos”. Para se ter uma ideia de como as receitas foram aumentando neste escopo hoje é possível encontrar também Brown IPA, Red IPA, Juyce ou Hazy IPA, Belgian IPA, Rye IPA…


Quarta curiosidade é sobre sua harmonização, no Livro A mesa do mestre cervejeiro, Garrett Oliver ressalta o quão bem uma IPA se equilibra com queijos, veja: “… queijos Cheddar tradicionais envelhecidos, como Grafton Village (Vermont) e Montgomery (Inglaterra), têm uma acidez bem nítida e refinada, que se equilibra com sabores frutados e de frutos secos (nozes, amêndoas, avelãs etc.). Queremos uma cerveja com amargor forte, que se harmonize com a acidez do queijo e bons sabores frutados; e com sabores de malte abiscoitados, para combinar com os sabores de frutos secos. A India Pale Ale se encaixa feito uma luva”, conta.
Há tanta curiosidade sobre o assunto que podemos passar horas falando sobre, mas já deu sede. Voltaremos um outro dia para falar sobre o assunto. Saúde!


Legenda:
*Real aqui faz referência às cervejas britânicas conhecidas como Real Ale.
Referências:
MacFarland, Bem. Boutique Beer. Edição Americana – New York. Barron’s Educational Series, Inc., 2013
Oliver, Garrett. A mesa do mestre cervejeiro. Edição Brasileira – São Paulo. Editora Senac São Paulo, 2012.
Webb, Tim & Beaumont, Stephen. O atlas mundial da cerveja: o guia essencial da cerveja ao redor do mundo. Edição Brasileira – Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 2012.

Aproveite para degustar:

BOX EXTRA:
Molho de IPA com Vinagrete de Toranja – Receita retirada do livro “The little book of Craft beer” de Melissa Cole
50ml de honey mostard
50ml de suco de toranja
1 colher de chá rasa de açúcar
250ml de óleo de amendoim (ou muito suave azeite – mas não o extra virgem, por seu amargor)
1 gema de ovo para cada 500ml de molho
Sal e pimenta a gosto
Coloque tudo em uma jarra limpa, aperte bem a tampa e chacoalhe até emulsificar.
No livro, Melissa deixa um recado: “este é um molho verdadeiramente simples que funciona muito bem em vários tipos de salada, mas minha preferencia é com saladas a base de grãos.”

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